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domingo, 18 de julho de 2010

TRIGUEIRINHO - A CONCIÊNCIA DOS ESSÊNIOS



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TRIGUEIRINHO - A VIDA DOS ESSÊNIOS



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segunda-feira, 7 de junho de 2010

OS ESSÊNIOS



Os essênios eram originários do Egito e foram uma das principais seitas religiosas da Palestina. Durante a dominação do Império Selêucida, em 170 a.C., formaram um pequeno grupo de judeus que abandonou as cidades e rumou para o deserto, passando a viver às margens do Mar Morto e cujas colônias estendiam-se até o vale do Nilo.

Eles faziam do respeito à vida, um exercício prático que levava à efetiva realização da virtude e à plenitude da vida moral. Escreveram os mais antigos textos bíblicos e influenciaram profundamente o cristianismo. Possuíam moralidade exemplar através de costumes corretos e pacíficos. Dedicavam-se ao estudo espiritualista, à contemplação e à caridade, ao contrário do materialismo vigente na época. Era um povo além de seu tempo servindo a Deus pelo auxilio ao próximo, expurgando sacrifícios no altar e o culto de imagens.

Na sociedade livre dos essênios não havia escravos e difundiam a verdadeira igualdade e fraternidade entre os homens rompendo com o conceito da propriedade particular. Trabalhavam individual e coletivamente, se sustentando do que produziam e desempenhando atividades que não envolviam destruição ou violência. Vivendo em comunidades distantes, eles procuravam encontrar na solidão do deserto o lugar ideal para desenvolverem a espiritualidade e estabelecer a vida comunitária, onde a partilha dos bens era a regra, já que um essênio não podia esconder suas posses.

Não se encontravam entre eles armeiros e açougueiros e aos leigos, eram ensinados as doutrinas da seita por escribas, mestres e instrutores, numerosos entre eles. Como na hora das refeições, seus membros cultivavam o silêncio e vestiam-se de branco. Cultivavam hábitos saudáveis seguindo uma alimentação vegetariana, ao mesmo tempo zelando pelo corpo e a higiene pessoal. Apesar da falta de água no deserto, ela era armazenada em cisternas a partir da chuva para eles se banharem duas vezes ao dia, sempre antes das refeições, acreditando que purificavam o corpo e a alma.

Muitas informações sobre os essênios são desconhecidas ou baseadas em hipóteses e muito de seus manuscritos, depois do ataque romano ao monastério de Qumran, foram escondidos em potes de cerâmicas e enterrados em cavernas. Construíram muitas oficinas, olarias, despensas, refeitórios, cisternas e escritórios. Apesar disso, o legado essênio conta com 11 manuscritos mais ou menos completos e milhares de fragmentos de mais de 800 deles em pergaminho e papiro. Muitos desses textos são cópias de livros bíblicos e o restante de livros apócrifos, que na doutrina cristã não foram incluídos pela Igreja no Cânon das Escrituras autênticas e divinamente inspiradas.

O estilo de vida dos essênios se assemelhava muito com a dos primeiros cristãos, fazendo alguns pensarem que Jesus fez parte dessa seita antes de começar sua missão divina. É incerto que Jesus tenha conhecido a seita essênica, vivido entre eles e adquirido seus ensinamentos através da doutrina que pregavam. A falta de relatos de onde esteve Jesus entre seus 13 e 30 anos leva muitos estudiosos a acreditarem que Ele viveu junto a esse povo, mas é mera especulação que Ele tenha feito parte dela, e tudo o que se escreveu sobre esse assunto não tem comprovação.

Fato intrigante é que, sendo os essênios uma das três mais importantes seitas da Palestina naquela época, o evangelho simplesmente não fala deles. Os essênios, igualmente ao Mestre, professava o amor pelos animais e a alimentação sem carne, coisas estas que haviam sido ditas como Sagradas não encontraram nenhuma menção nas Escrituras. Muito do que ensinou Jesus de Nazaré permaneceu oculto nos escritos sem autenticidade e não foi reconhecido na recompilação dos escritos que hoje nos são apresentados como evangelho oficial.

De acordo com os manuscritos do Mar Morto, alguns costumes dos essênios e alguns textos antigos, que de forma significativa foram omitidos nas páginas da Bíblia, nos dizem sobre o curandeirismo, a reencarnação, a divisão das colheitas, o povo no poder, o vegetarianismo e a relação pacífica dos homens com os animais. Estes, não encontraram nenhum lugar na Bíblia eclesiástica. Tais temas podem ter sido censurados ao ameaçarem o interesse e o reinado dos papas e dos reis. Na Bíblia oficial foram silenciadas muitas coisas, ocultando a luz da Verdade. O certo é que, os essênios e Jesus foram grandes amigos e protetores dos animais.

Oração dos Essênios à Mãe Terra

Abençoado seja o Filho da Luz que conhece sua Mãe Terra
Pois é ela a doadora da vida.
Saibas que a sua Mãe Terra está em ti e tu estás Nela.
Foi Ela quem te gerou e que te deu a vida
E te deu este corpo que um dia tu lhe devolvas.
Saibas que o sangue que corre nas tuas veias
Nasceu do sangue da tua Mãe Terra,
O sangue Dela cai das nuvens, jorra do ventre Dela
Borbulha nos riachos das montanhas
Flui abundantemente nos rios das planícies.
Saibas que o ar que respiras nasce da respiração da tua Mãe Terra,
O alento Dela é o azul celeste das alturas do céu
E os sussurros das folhas da floresta.
Saibas que a dureza dos teus ossos foi criada dos ossos de tua Mãe Terra.
Saibas que a maciez da tua carne nasceu da carne de tua Mãe Terra.
A luz dos teus olhos, o alcance dos teus ouvidos
Nasceram das cores e dos sons da tua Mãe Terra
Que te rodeiam feito às ondas do mar cercando o peixinho.
Como o ar tremelicante sustenta o pássaro
Em verdade te digo, tu és um com tua Mãe Terra
Ela está em ti e tu estás Nela.
Dela tu nasceste, Nela tu vives e para Ela voltará novamente.
Segue, portanto, as Suas leis
Pois teu alento é o alento Dela.
Teu sangue o sangue Dela.
Teus ossos os ossos Dela.
Tua carne a carne Dela.
Teus olhos e teus ouvidos são Dela também.
Aquele que encontra a paz na sua Mãe Terra
Não morrerá jamais,
Conhece esta paz na tua mente
Deseja esta paz ao teu coração
Realiza esta paz com o teu corpo.


Seja feliz e encontre-se.

Ame-se e evolua.

Hinos Essênios




HINO XIV (COL. XII - 33)
- Dou-te graças, Senhor, Porque, Para que a verdade eu a conhecesse, Mestre tu me foste.
27 - Maravilhosos mistérios tens,
Conhecê-los fizeste-me.
Um deles - o inclinar-se para o homem frágil
A tua bondade forte.
E ainda: assombrosa, a tua pródiga misericórdia
Para os que, perverso, seu coração guardar o ousam.

28 Quem como tu, Senhor, entre os mais deuses, o veraz? Justificado diante de ti, Quem o sairá, quando ao teu julgamento? Ninguém há que
29 - Ao juízo teu respondê-lo possa.
Glória humana face à tua sopro o é, apenas.
Resistir poderá nenhum poder
Á tua ira santa, tentando o mesmo atenuar uma falha
Contra o erro.

30 - Filhos o são todos da irrevogável verdade.
E, somente por teu perdão,
Salvadora âncora imersa à tua oceânica bondade,
Admitidos sê-lo-ão todos à tua presença,
Purificação havendo-te merecido de todo o pecado.
E isto, apenas,
Pelo imensurável em que se dilata a tua misericórdia.

31 - Assim procedes,
Para, dignos de ti, e, pelos séculos sem fim,
Teus filhos se mostrarem à tua imaculada Presença.
Lá onde, eterno Deus, tens a tua Morada.
Para onde, abertos, muitos o são os caminhos.
Fora de ti, ninguém caminhara.
Que, em sua fragilidade, o é o homem?
Um sopro, apenas.

33 - E,
Se lhes não ensinares tu,
Como tuas obras maravilhosas compreender esse homem?

17 - Habitações e exageros
Tua firme determinação não moram.
Para sempre,
Os que mira do teu amor o são,
Permanecerão em tua presença.
Os que pela senda do teu coração caminham.

18 - Mingua da tua caridade sofrê-la-ão jamais.
Levantar-me-ei para defrontar os que conculcar-me tratam.
Eu, por certo, que somente em ti me apoio.
Contra os que me escarnecem,
Levantar-se-á minha mão.

19 - Porque admiti-lo não queriam
Teu poder em mim se manifestasse.
Sem dúvida que, intensamente, e, através de mim,
Tua luz deixar-se-á ver.
E rostos não se pejarão os daqueles que,
Meu chamamento seguindo,
À tua Aliança se afiliaram.
Pelo caminho do teu coração,
Avançam os que me obedecem,
Tomando, por isto, o seu lugar na Assembléia dos Santos.
À causa desses, decisivo triunfo dar-lhe-ás.
O aparecimento da verdade,
Através da insofismável caridade, fá-lo-ás.
Aos réprobos não permitirás que os
Fiéis ao teu jugo, desencaminhados o sejam por eles.

22 - Meio ao teu povo,
A desconfiança contra os mesmos infundirás,
Quando, em teu desamor, fazê-lo tramem.
E, para arrasar os transgressores de tua palavra,
Como instrumentos de destruição sobre todo país,
Usá-los-ás.

HINO XVIII (COL. IX 37 X, 12)
Graças, Senhor,
Porque, sobre mim, por incontáveis pertinácias,
Tua força provaste-me.
X, 1 ... em teu coração.
Além do teu querer, nada sucede.
Da profundeza dos teus desejos ninguém se intui.
Pois, que é o homem? Nada!
Bocado de 4 argila, pó que ao pó retomará.
E como sobre tuas maravilhas
Instruído sê-lo, merecer podê-lo-ia?
Como, assim tão desintuído,
Conhecer, a fundo, teus segredos?
Eu, pó e cinza,
Que cousa, além dos teus desejos, intentá-la posso?
Que diferente expressão,
Meu pensamento, para incontestável sê-lo,
Alcança, comparando-a a teus ditados únicos?
Como, senão com tua força,
Posso eu colher, através das minhas hastes,
E para o Supremo Toureador,
O meu bravio touro?
Como posso eu remover-me obstáculos íntimos,
Se meu ouvido interior
Entender não sabe teus indispensáveis cochilos?
Se tu não és quem meus lábios compulsa,
O que, inutilidade o não seja?
Se obséquio me não fazes da tua pujança,
Dizer podê-lo-ei
Como, convincentemente, responderei o diálogo que me
propões?
8-Tu, de todos os deuses o maior, das supremas diligências, o Rei, De todo espírito, Senhor, De toda criatura, dono único?
9 - Sem ti, nada se realizou.
Sem que tu apontado o houvesses,
Nada se conheceu,
Pois, fora de ti, nada existe.
Forte ninguém o é ante a força que potências.
Tudo falece ante tua glória.
Toda medida superada o é,
Pois a ultrapassa teu poder.
Ante o maravilhoso que tuas obras ilumina,
Quem, sobranceiro, levantar-se pode?
E, quanto à tua inviolabilidade,
Quem, sob teu intocável Selo,
Pretensão terá de resisti-la?

12 - Afinal,
Que é o que ao pó já se tomando está,
Para, em seu aniquilamento, tua força querer prová-la ainda?
Que, se as cousas todas criaste,
Apenas para que das mesmas,
Tua plenitude transbordada o fosse? ...

HINO XIX (COL. X, 14 a XI, 2)
14 - Bendito o sejas, Senhor Deus de misericórdia, Porque, rico em benevolência,
Conhecer fizeste-me tudo.
15-Dia e noite,
Calar não se deve tua maravilha.
16 - Em teu regaço de amor
Acolhida se sente minha alma.

17 - A todo instante, em tua força apoio-me.
18 - Nada sem teu querer se faz...
Titubeio o não há, se, minha, é a tua clarividência.
19 - Sucesso não sei que ao teu conhecimento escape.
20 - Identificado sinto-me com tua verdade. Meu conhecimento, intimam ente, levar-se deixa Pelo teu esplendor.
21 - E os infinitos prodígios que,
Desenrolandoopanodatuabondade,
Assombrosamente desfraldam a bandeira da tua misericórdia,
Narrá-los saberei
Como, em tua luz, os entendo.

22 - Até pousar-se em minha esperança,
Consolador, sabe-me o teu perdão.
Em tua forja meteste-me
E, nela, forma deste-me.

23 - Pela ganância cobiçosa Atraído sê-lo não posso, Assim como pemicioso abrigo Do segredo que move o instinto carnal.
24 - Espichando o pescoço,
O poderoso grupo dos prepotentes
Olho abre que, desdenhoso,
Nos outros mira a abundância de seu grão,
De seu vinho,
De seu azeite,
25 - De seus gados,
De seus depósitos.
Como a árvore, a seus extensos ramos,

26 - Desdobrada sombra de verde folhagem
Que o caminho das águas abeira,
Em troca da riqueza a outrem por tua mão doada,
À margem da vida me deixaste,
Arvore, todavia, a seu préstimo,
Fruto de vida, para os filhos de Adão, criando
E, através das tuas raízes, fruto abundantemente nutrido à
Milagrosa linfa.

27 - Aos teus filhos, imagem do teu ser, Conhecimento, para sempre, lhes deste. E, segundo essa doação, Honrados hão de sê-lo,
28 - Um mais que os outros,
Sendo isto característico à herança dos filhos de Adão, Que, variamente multiplicada,
29 - Quando a conhecimento mais profundo renascida, Mais honrada o é.
30 - Gerações injustas
Detesta-as teu servo
E quanto a posição tomar entre malévolos obstinados,
Não se compraz meu coração.
Do teu pacto e da tua verdade,
Eis do que exulta meu espírito.

31 - Então, delícias,
Como um vaso em água fresca,
Cobrem meu ser.
Como um lírio, floresço:
A flor que dá meu coração,
Junto à eterna fonte, aberta.

32 - No alto, pompéia, da minha salvação,
Minha ilibada corola.
Vãos frutos dão os soberbos.
Desde que, para ostentá-los, deixaram de ser flor, Vazios, sempre, o estiveram...

33 - Como o trovejar,
A seu tremendo eco pelos barrancos,
Foi-me também, ao frêmito do pavor,
O desgarrar-se-me dos sentimentos.
E, do insufocável gemido em que bramei,
Em dor, cimbrado meu coração.

34 - Propagou-se o terrível som Até as do Sheol
E, ao temer teu juízo, Era desse fundamento que eu temia.

35 - Teu processo a sobrevir sobre os grandes, Como sobre os poderosos santos (lá de cima)
36 - O teu mesmo irrevogável juízo Sobre todas tuas obras de justiça.
XI, 1 - Devido ao medo...
A aflição cresce-me... (detenho-me)
2 - Na meditação do teu espírito.

HINO XX (COL. XI, 3 - 14)
3 - Dou-te graças, meu Deus,
Pois vil boneco de barro o sendo eu,
Maravilhas obrado-as tens com tua criatura!
O poder do teu braço,
Sempre mais e mais,
Nela o manifestas.

4 - E, afinal, quem sou eu,
Para que segredos teus te ponhas a revelar-mos?
Inteligência de tuas obras maravilhosas,
A seu transcendente ver por dentro, o mundo por ti criado.
Tu ma deste.
Meus lábios abres, pois, em teus louvores.
Teu elogio à minha língua nascendo para a expressão
de meus lábios.
Deliciosamente, pois,
Todo dia,
Contar quero do teu poder.
Meditar quero sobre tua misericórdia.
Teu nome sempre bendizê-lo-ei.
Aos filhos de Adão tuas grandezas desvendá-las-ei.

7 - Na riqueza da tua bondade, se compraz minha alma.
Bem sei que,
Eternamente, a pronúncia faz de teus lábios a mesma Palavra
A mesma justiça (o gesto) de tua mão constante.
E teu pensamento a todo conhecido se dilata.
A energia de tudo que existe
Riqueza é encerrada em teu vigor.
Quando, da tua cólera, resplandece tua glória.
Em luz dos teus juízos,
Castigos sentenciando ao circunstancial, duro instante
Que tua ira incende.
9 - (Como também) da tua bondade,
Em sua feliz dilatação,

HINO XIX (COL. X, 14 a XI, 2)
14 -Bendito o sejas, Senhor Deus de misericórdia, Porque, rico em benevolência,
Conhecer fizeste-me tudo.
15 - Dia e noite,
Calar não se deve tua maravilha.
16 - Em teu regaço de amor
Acolhida se sente minha alma.
17 - A todo instante, em tua força apoio-me.
18 - Nada sem teu querer se faz...
Titubeio o não há, se, minha, é a tua clarividência.
19 - Sucesso não sei que ao teu conhecimento escape.
20 - Identificado sinto-me com tua verdade. Meu conhecimento, intimamente, levar-se deixa Pelo teu esplendor.
21 - E os infinitos prodígios que,
Desenrolando o pano da tua bondade,
Assombrosamente desfraldam a bandeira da tua misericórdia,
Narrá-los saberei
Como, em tua luz, os entendo.
22 -Até pousar-se em minha esperança,
Consolador, sabe-me o teu perdão.
Em tua forja meteste-me
E, nela, forma deste-me.
23 -Pela ganância cobiçosa Atraído sê-lo não posso, Assim como pernicioso abrigo Do segredo que move o instinto carnal.
24 -Espichando o pescoço,
O poderoso grupo dos prepotentes

HINO XXVIII
(COL. XV, 9 - 26)
9 - Com toda alma,
De todo coração,
Em absoluta entrega do meu ser,
Amar-te-ei, a cada viagem do sol. meus dias contando...
Meu coração purifiquei-o... para.., amar-te,

11 - Para solidarizar-me aos «muitos» (rabim)
E, com eles, teus decretos abandonar jamais.
Como isolar-me de tudo que, havendo-o tu condenado,
Com o selo da tua ordem, o lacraste?
Decidi-me e, para sempre.
Quem, por si mesmo, purificar não pode seus
Caminhos, outrossim, seus passos consolidar?
Eu, de mim, o sei e só pelo esclarecer de tuas Luzes.
Sei que em tua mão pousa o destino de cada espírito.
Como sei que cada um de seus passos,
Antes de criado haveres o senhor de seus pés,
Tu o determinaste.
À feição de que mudar podê-lo-ia alguém tua palavra?
Tu o (15) justo o criaste.
Da profundeza do teu seio, o confirmaste.
Para que,
Conforme o teu beneplácito no âmbito do teu pacto,
Pelas tuas sendas se encaminhasse ele,
Isto estabeleceste.
Misericórdia dele ter o quiseste.

16 - Eterna salvação dar-Lha o (dispuseste)
Surpreendente efeito à riqueza da tua misericórdia obtido.
De toda angústia o (livraste)
E perfeita paz providenciaste-lhe.
Corpo seu, para a glória, surgir o fizeste.
Em troca, os ímpios à ira destinado os houveste.
E para seu justo extermínio
Desde sua concepção no materno seio,

Assinalou-os teu desígnio.
18 - Porque, pelo meu caminho andando,
Teu pacto o desprezam.
Tua Lei abominam-na.
Prazer jamais o acharam ao que ordenado o havias.
E, inconcebivelmente,
O que aborreces, justo elegeram.
Levá-lo devem agora sobre si o peso dos teus justos juízos.

20 - Aos olhos de toda criatura,
Para todas gerações eternas, ostentá-lo devem teu signo.
A fim de que tua glória todos a conheçam.
Como 21 tua grandiosa força,
Para quem conhecer pretende teus mistérios,
Que vale a carne?
Pó o sendo, como consolidá-los podê-lo-ão seus passos?

22 - Tu que o espírito formaste (sua atividade)
Também a vigias.
O caminho de todo vivente de ti procede.
Comparável à tua verdade,
Riqueza sei que não há. Tua Santidade.
Bem sei a quem entre os escolhidos eleges.
O povo desse constituído é que, para sempre, te servirá.
Recompensa tu jamais a recebes pelas obras dos maus.
Também dons iníquos os não aceitas.
Porque um Deus verdadeiro eis quem O és.
Toda injustiça destruí-la-ás.
(O mal) Em sua presença
Não mais existirá.
Eu, em convicção, sei que só tua é a justiça.
HINO XXIX

(COL. XVI 2-7)
(Dou-te graças, Senhor)
Pois, através do teu espírito santo, Compreender fizeste-me 3 a plenitude da tua bondade. Interpreto da tua síntese universal
- Céus e terra -Que, ao brilho da tua glória, majestosa, tua Criação resplandece.

4 -Teu querer obstina-te em permanente companhia para o homem.
- E essa tua voluntária e desprendida entrega, Para sempre, durará.
5 - Um lugar ao homem adequado,
Para que conservar-se o possa ele firme em teus juízos, Tu lho assinalaste.
6 - Porque todas estas cousas eu as conheço, Uma lápida proclamo.
6. -Buscar a verdade do teu espírito (o que desejo). Todavia, longe de mim, com isto, dissimular pretendo minhas transgressões.
7 - Como?
Ascendendo-me na luz do teu espírito santo.
Círio, aderindo-me ao brilhante Candelabro da tua Aliança.
Sem ostentação ou inibição.
Meu coração chispeia em amor de teu nome.

HINO XXX
(COL. XVI, 8-19)
8 - Bendito o sejas, Senhor, do Universo, o Autor.
Frutescente cerne!
Poderoso em obras.
Teu o multiplicar-se da Criação!
Graças, pois,
Benevolência, comigo, usá-la decidindo-te.
Com a messe de tuas misericórdias, favorecer-me.
E com a riqueza da tua glória.
Só a ti pertence a justiça,
Pois tu és que, em natureza divina, tudo obras.

10 - Quanto a meu cinzidouro,
Purificá-lo trato,
Porque, sobre o espírito justo,
Um sinal sei que o hás posto.
Descarto-me de todo atropelo.
E em teu servo odeio
Toda manifestação da injustiça que infido o mostre.
Bem sei que, fora de ti, justo ninguém o é.
Então, (apoiado) sobre o espírito que sobre mim derramaste,
Em tua presença, tranqüilo, compareço.
Querendo efetuar teus desejos,
Tuas bondades compagino-as.
E faço-o, com o espírito de santidade purificando-me.
De Ti acerco-me,
Em teu beneplácito,
Pela ternura infinita do teu coração atraído.

13 - Comigo... em teu amor.., em tudo aquilo que,
Para os que te amam, escolheste.
Para os que, logrando estar, para sempre, em tua presença,
Teus preceitos observam. 14
(Haverá buscar) teu servo a participação do espírito em
todas suas obras.

15 - ... Que, fora da tua Aliança,
O caviloso sua transgressão jamais a escuse.
Pois que 16 glória...
(Senhor) misericordioso (pródigo) em compaixão e perdão.
Aquele que perdoa a iniqüidade 1... e indulgência
A demonstra para... os que seus preceitos observam...
Os que, integramente, para servir-te,
De coração se convertem.
E para cumprimento dá-lo ao que,
Diante de teus olhos,
Bom o é.
Teu rosto o não apartes do teu servo
E o filho da tua serva (19) não a (rechaces).
Confiarei, então, em tua palavra.

terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

OS ESSÊNIOS - A Doutrina do Deserto




Em 1923, o húngaro Edmond Szekely obteve permissão para pesquisar os arquivos secretos do Vaticano. Estava à procura de livros que teriam influenciado São Francisco de Assis. Curioso e encantado, vagou pelos mais de 40 quilômetros de estantes com pergaminhos e papiros milenares. Viu evangelhos nunca publicados e manuscritos originais de muitos santos e apóstolos, condenados a permanecer escondidos para sempre. De todas essas raridades, uma obra em especial lhe chamou a atenção. Era o Evangelho Essênio da Paz. O livro teria sido escrito pelo apóstolo João e narrava passagens desconhecidas da vida de Jesus Cristo, apresentado ali como o principal líder de uma seita judaica até então pouco comentada - os essênios. Szekely não perdeu tempo. Traduziu o texto e o publicou em quatro volumes. Sentindo-se traída pelo pesquisador, a Igreja o excomungou.
Não foi uma punição tão grave. Considere o que aconteceu com o reverendo inglês Gideon Ouseley. Em 1880, ele achou um manuscrito chamado O Evangelho dos Doze Santos em um monastério budista na índia. O texto em aramaico - a língua que Jesus falava - teria sido levado para o Oriente por essênios refugiados.

Manuscrito achado no
Vaticano afirma que Jesus
era essênio e vegetariano

Ouseley ficou eufórico e saiu espalhando que tinha descoberto o verdadeiro Novo Testamento. Afirmava que a Bíblia estava incorreta, pois Cristo era um essênio que defendia a reencarnação e o vegetarianismo. Se hoje essa tese soa estranha, dizer isso na Inglaterra vitoriana do século XIX era blasfêmia da pior espécie. Resultado: os conservadores atearam fogo na casa de Ouseley e o original foi destruído.
O mistério que envolve esses dois textos e o tom místico que os descobridores deram aos seus achados acabaram manchando seu crédito diante dos historiadores. Além do mais, teorias exóticas sobre Jesus é o que não falta. Em 1970, o pesquisador inglês John Allegro, que já havia estudado os essênios, tentou provar que Jesus nunca havia existido e que teria sido uma alucinação coletiva causada pela ingestão de cogumelos. Por motivos óbvios, essa teoria não foi muito bem aceita pelos seus colegas cientistas. Segundo eles, Allegro entendia mais de cogumelos do que de Cristo.
Para os historiadores, os essênios seriam até hoje uma note de rodapé na História se, em 1947, dois pastores beduínos não tivessem por acidente levado a uma das maiores descobertas arqueológicas do século. Escondidos em cavernas próximas ao Mar Morto, em Israel, 813 manuscritos redigidos pelos essênios entre 225 a.C.
E o ano 68 da nossa era guardavam as mais antigas cópias do Antigo Testamento, calendários e textos da Bíblia. Perto das cavernas, em Qumran, estavam as ruínas de um monastério essênio e um cemitério com cerca de 1200 esqueletos, quase todos masculinos.
O achado deu início a um longo e árduo esforço de tradução dos manuscritos por teólogos e cientistas de várias universidades no mundo. Milhares deles estavam em pedaços minúsculos, menores do que uma unha. "Hoje, 90% dos textos já foram transcritos", diz o teólogo Geza Vermes, da Universidade de Oxford, que pesquisa os manuscritos. O que já é suficiente para moldar uma imagem mais precisa da história, da doutrina, da crença e dos hábitos essênios, que ficaram séculos a fio esquecidos nas ruínas daquele monastério.
O surgimento da doutrina essênia aconteceu em tempos conturbados. Os judeus viveram sob dominação de diversos povos estrangeiros desde 587 a.C., quando Jerusalém foi devastada pelos babilônios, habitantes da atual região do Iraque. Por volta do século II a.C., o domínio era exercido pelos selêucidas, um povo grego que habitava a Síria. A cultura helenista proliferava e a tradição hebraica sofria fortes ameaças. Para recuperar o judaísmo, os israelitas acreditavam na vinda do Messias que chegaria ao final dos tempos para exterminar os infiéis e salvar os seguidores da Bíblia. A chegada do Salvador poderia se dar a qualquer instante.
Os mais ortodoxos seguiam tão à risca os preceitos religiosos e buscavam a ascese e a pureza com tal fervor que ficavam chocados com os hábitos mundanos dos gregos e a presença de leprosos, cegos, surdos e cachorros passeando pela cidade e pelos templos. Entre eles estavam os essênios. Um dia boa parte deles, liderados por um sacerdote, partiu para o Deserto da Judéia (atual Israel) para orar, meditar e estudar as leis sagradas. Longe, bem longe, de tudo o que eles consideravam impuro. Surgia assim o monastério de Qumran, uma das primeiras comunidades monásticas do Ocidente.
A região escolhida para a construção do monastério é a de menor altitude no planeta -400 metros abaixo do nível do mar. As chuvas são raras e o mar é tão salgado que é impossível mergulhar nele, pois a enorme densidade da água mantém o banhista na superfície. Para prosperar, os bens individuais e as tarefas foram divididos entre toda a comunidade e regras de disciplina e de hierarquia foram instituídas. A presença de mulheres em Qumran, por exemplo, era proibida. Transgressões eram duramente punidas. A interpretação das leis e profecias cabia amestre da justiça, o mesmo sacerdote que teria guiado os essênios até Qumran. Ele era respeitado e cultuado por todos e logo virou uma entidade mítica. O guardião, por sua vez, presidia as refeições e decidia as questões a respeito da doutrina, justiça e pureza. Essa figura inspirou a formação da palavra grega "epis copus" (aquele que olha de cima), que foi a origem de "bispo".

Os monges do deserto
tinham obsessão pela
pureza e pela disciplina

É possível conhecer o dia-a-dia dos essênios a partir do legado do historiador judeu Flávio Josefo (37-100). Aos 16 anos Josefo recebeu lições de um mestre essênio, com quem viveu durante três anos. Os membros da seita acordavam antes do nascer do sol. Permaneciam em silencio e faziam suas preces até o momento em que um mestre dividia as tarefas entre eles de acordo com a aptidão de cada um. Trabalhavam durante 5 horas em atividades como o cultivo de vegetais ou o estudo das Escrituras. Terminadas as tarefas, banhavam-se em água fria e vestiam túnicas brancas. Comiam uma refeição em absoluto silêncio, só quebrado pelas orações recitadas pelo sacerdote no início e no fim. Retiravam então a túnica branca, considerada sagrada, e retornavam ao trabalho até o pôr-do-sol. Tomavam outro banho e jantavam com a mesma cerimônia.
Os essênios tinham com o solo uma relação de devoção. Josefo conta que um dos rituais comuns deles consistia em cavar um buraco de cerca de 30 centímetros de profundidade em um lugar isolado dentro do qual se enterravam para relaxar e meditar.
Diferentemente dos demais judeus, a comunidade usava um calendário solar de 364 dias, inspirado no egípcio. O primeiro dia do ano e de cada mês caía sempre um uma quarta-feira, porque de acordo com o Gênesis, o Sol e a Lua foram criados no quarto dia. O calendário diferente trouxe vários problemas para os essênios. Outros judeus poderiam atacar o monastério no shabbath – o dia sagrado reservado ao descanso, no qual era proibido qualquer esforço, inclusive o de se defender.
A correta observação das regras garantiria a salvação dos essênios quando chegasse o apocalipse, que seria a vitória dos puros “filhos da luz” contra os “filhos das trevas”. No mundo essênio, aliás, tudo era dividido segundo uma visão maniqueísta que tornava possível até mesmo determinar quantas porções de luz e de escuridão cada um possuía. Um sectário de dedos rechonchudos, coxas grossas e cheias de pêlos teria oito porções na casa das trevas para uma de claridade. No mesmo manuscrito, um outro membro obteve um placar mais favorável. Por ter olhos negros e brilhantes, voz suave, dentes alinhados, dedos longos e canelas lisas seu espírito foi condecorado com oito partes de luz para uma de trevas. Para os essênios, a beleza do corpo também era sinal de pureza espiritual.
Graças a essa organização toda, Qumran produzia tudo de que precisava. A dieta era vegetariana. Os essênios tinham um enorme respeito pela natureza. Nenhum homem poderia sujar-se comendo qualquer criatura viva. A regra permitia uma única exceção. Eles podiam comer peixe, desde que fosse aberto vivo e tivesse seu sangue retirado. As refeições eram frugais, com legumes, azeitonas, figos, tâmaras e, principalmente, um tipo muito rústico de pão, que quase não levava fermento. Eles possuíam pomares e hortos irrigados pela água da chuva, que era recolhida em enormes cisternas e servia como bebida. Além dela, as bebidas essênias se resumiam ao suco de frutas' e "vinho novo", um extrato de uva levemente fermentado. No shabbath, os sectários deveriam passar o dia inteiro em jejum. Os hábitos alimentares frugais e a vida metódica dos essênios garantiam-lhes uma vida saudável. Segundo Josefo, muitos deles teriam atingido idade extraordinariamente avançada.
A água também era canalizada para os banhos rituais, que eles tomavam duas vezes ao dia para se redimir dos pecados e das impurezas do corpo. O ritual consistia em relatar todas as faltas e então submergir. "Essa prática influenciou o batismo e a confissão dos católicos", diz a historiadora Ruth Lespel, da Universidade de São Paulo. Outro ponto em comum entre os essênios e o catolicismo seria a figura de São João Batista, o profeta que batizou Jesus Cristo. O santo promovia batismos no Rio Jordão numa região próxima a Qumran.
Sua postura messiânica era muito próxima à dos essênios. Há quem acredite que, quando foi batizado, Jesus teria visitado o monastério e sido influenciado por sua doutrina.
Há outras relações entre essênios e cristãos. "Existem passagens dos Manuscritos do Mar Morto, aqueles encontrados em 1947 nas cavernas de Qumran, que soam como as do evangelho cristão", afirma James Vanderkam, da Universidade de Notre Dame, Estados Unidos. Traços da doutrina dos primeiros seguidores de Jesus - como o elogio de uma vida humilde, a proibição do divórcio e a invocação a Deus como um pai - têm ressonância na fé de Qumran. "É possível que essênios e cristãos tenham entrado em contato", diz o cônego Celso Pedro da Silva, do Mosteiro da Luz, em São Paulo.
Quanto a Jesus Cristo, apesar das descobertas e polêmicas levantadas por Ouseley e Szekely, não há nos manuscritos encontrados nas cavernas do Mar Morto uma única menção a ele. É por isso que o maioria dos pesquisadores duvida da teoria de que Jesus tenha se aproximado dos essênios. "Não existe nenhuma evidência concreta disso", diz o historiador Nachman Falbel, da USP Para o exegeta Valmor da Silva, da Pontifícia Universidade Católica de Campinas, Jesus pode ter recebido influência das mais diversas correntes do judaísmo, inclusive deles. "Mas não dá para garantir que ele tenha freqüentado uma de suas comunidades".

Afirmar que Jesus se alimentava apenas de vegetais é ainda mais complicado. "Eu duvido muito que Cristo tenha sido vegetariano, pois ele celebrou a páscoa judaica, que envolve alimentos como ovo, patas de cordeiro e frango", diz Vanderkam. Fernando Travi, líder da pequena igreja essênia do Brasil, tem um ponto de vista oposto ao de Vanderkam. "Cristo pregava o amor a todos os seres vivos e não matava animais para aliviar a sua fome", afirma. Assim como ele, os seguidores de Szekely e Ouseley duvidam da veracidade das passagens do Novo Testamento em que Jesus se alimenta de carne. Eles acreditam que essas histórias não passam de invenções criadas pelo apóstolo Paulo, já na segunda metade do século I. A doutrina do vegetarianismo não seria bem recebida pelos judeus, acostumados a fazer sacrifícios e a comer carne, e Paulo teria modificado os evangelhos para tornar o cristianismo mais popular. Um exemplo dessas alterações estaria na passagem do Novo Testamento em que Jesus multiplica pães e peixes para alimentar uma multidão. O Evangelho dos Doze Santos, encontrado por Ouseley traz uma outra versão desse milagre, na qual os peixes são substituídos por uvas.
No ano de 68 o monastério de Qumran foi aniquilado numa devastadora investida do exército romano que arrasou a Judéia e destruiu Jerusalém. O ataque era dirigido principalmente aos judeus zelotes, que se insurgiram contra o domínio romano. Qumran, que não era nenhuma fortaleza, foi presa fácil para as legiões do César. Mas nem todos os essênios morreram aí. Alguns fugiram para Massada onde, aí sim, no ano de 73, descobriram o que é um final trágico. O esconderijo, uma fortaleza zelote ao sul de Qumran, localizada no alto de uma colina, parecia impenetrável. Mas 15000 romanos fizeram um cerco que durou dois anos e metodicamente construíram uma rampa de terra e areia para alcançar o topo da fortaleza. Quando os soldados finalmente invadiram Massada tiveram uma surpresa: todos os 1000 rebeldes estavam mortos. Em um sorteio, os zelotes haviam escolhido um grupo de soldados para assassinar todos os habitantes da fortaleza e, em seguida, cometer suicídio. Eles preferiram morrer entre os judeus a se tomar escravos dos romanos. Sobraram para contar a história apenas duas mulheres e cinco crianças, que haviam se escondido nos reservatórios de água. O episódio foi relatado por Josefo e provou ser verdadeiro em 1965, quando arqueólogos pesquisaram a região. Eles acharam as marcas dos oito acampamentos romanos e peaços de cerâmica com inscrições dos nomes dos zelotes, utilizados no dramático sorteio.
Segundo Josefo, os essênios existiam em grande número em diversas cidades da Judéia. Mas algumas variações da seita podem ter ocupado regiões ainda mais distantes. Uma comunidade egípcia do século 1, os terapeutas, possuía um modo de vida semelhante ao da seita de Qumran e a mesma divisão entre luz e trevas. Também é possível que ebionitas e nazarenos, duas das primeiras seitas cristãs, sejam descendentes dos essênios. Há quem acredite que os nazarenos formaram uma grande comunidade em Monte Carmel, no norte da Israel atual, que seguia os ensinamentos de Qumran, mas com algumas diferenças. As regras seriam muito próximas daquelas encontradas nos escritos de Szekely e Ouseley. Ao contrário de Qumran, eles não praticavam o celibato e até mesmo formavam famílias. Fanáticos pelo princípio de amar todos os seres vivos, eram muito mais rigorosos em relação ao vegetarianismo: não comiam peixes nem matavam os vegetais para comer (comiam folhas de alface, por exemplo, sem arrancar o pé!).

Para os essênios, as
refeições devem ser uma
Comunhão com Deus


“Eles viviam em tendas, que mudavam Del lugar freqüentemente, pois construções permanentes matariam a relva”, afirma Fernando Travi. Ele acredita que Jesus, apesar de ter passado por Qumran, viveu muito mais tempo em Monte Carmel. A região em que teria existido essa comunidade está próxima ao local em que Jesus nasceu e realizou muitos de seus milagres. Afirma também que Cristo não era conhecido como “Jesus de Nazaré”, mas sim como “Jesus, o Nazareno”.
Algumas dessas comunidades essênias existem, de certa forma, até hoje.


Flavio Josefo


Historiador judeu do século I, maior referência sobre os essênios até a descoberta dos Manuscritos do Mar Morto.

A Filosofia Essênia

Szekely pesquisou o pensamento dos essênios durante toda a vida. Uma de suas principais obras é a tradução de um manuscrito encontrado em 1785 pelo historiador francês Constantine Volney em viagens pelo Egito e pela Síria. É um diálogo entre Josefo e o mestre essênio Banus a respeito das leis da natureza. Eis alguns trechos:
Bem - Tudo aquilo que preserva ou produz coisas para o mundo, como "o cultivo dos campos, a fecundidade de uma mulher e a sabedoria de um professor".
Mal - O que causa a morte, como a matança de animais. Por esse motivo, o sacrifício de bichos, mesmo que para a alimentação, é condenável.
Justiça - O homem deve ser justo porque na lei da natureza as penalidades são proporcionais às infrações. Deve ser pacífico, tolerante e caridoso com todos, "para ensinar aos homens como se tornarem melhores e mais felizes".
Temperança - Sobriedade e moderação das paixões são virtudes, pois os vícios trazem muitos prejuízos à saúde.
Coragem - Ela é essencial para "rejeitar a opressão, defender a vida e a liberdade".
Higiene - Uma outra virtude essencial dos essênios é a limpeza, "para renovar o ar, refrescar o sangue e abrir a mente à alegria".
Perdão - No caso de as leis não serem cumpridas, a penitência é simples. Banus afirma que, para se obter perdão, deve-se "fazer um bem proporcional ao mal causado".

Na região sul do Iraque e do Irã, cerca de 38000 pessoas, os mandeans, mantêm uma tradição muito semelhante à doutrina essênia. Eles afirmam ser seguidores de João Batista e praticam o batismo. Sua origem, no entanto, ainda não é de todo compreendida.
No Ocidente, o essenismo surgiu com a divulgação dos escritos de Szekely e Ouseley. Na sua época, Szekely quase abandonou seus planos de difundir a doutrina quando a tradução rigorosa e detalhada que fez do segundo volume do Evangelho Essênio da Paz não contou com a aprovação de um amigo seu, o escritor Aldous Huxley, autor de Admirável Mundo Novo. "Isto está muito, muito ruim", disse-lhe Huxley, "é até pior do que o mais chato dos tratados enfadonhos dos escolásticos, que ninguém lê hoje em dia". Szekely ficou sem fala. Huxley continuou: "Faça-a literária, legível e atraente para os leitores do século XX. Tenho certeza de que os essênios não falavam uns com os outros em notas de pé de página". A critica abalou Szekely e ele pôs de lado o trabalho durante muito tempo. Mas, anos mais tarde, seguiu o conselho do amigo e reescreveu o manuscrito inteiro em linguagem contemporânea, mais coloquial. Foi um sucesso. O livro, publicado em 1928, já foi traduzido para dezenas de línguas e vendeu milhões de exemplares em todo o mundo. Com o respaldo editorial, Szekely construiu em 1940 um spa no México onde praticava tratamentos com base nas práticas essênias. Cerca de 350.000 pessoas já se hospedaram no chamado Rancho La Puerta nos seus sessenta anos de existência. Até hoje, muitas pessoas vão ao lugar em busca de um estilo de vida baseado nos ensinamentos de Szekely, que inclui exercícios, meditação e, principalmente, dieta vegetariana.
A alimentação possui um papel central na doutrina encontrada nos evangelhos de Szekely e Ouseley. Ao afirmarem que Jesus era frugívero, ou seja, que ingeria apenas alimentos que não significavam a morte de nenhum ser vivo, como folhas e frutos, eles pregam que as refeições devem ser um momento de compaixão e comunhão com Deus. O contato com a natureza é essencial. Tanto que os novos essênios (veja o quadro nesta página) possuem uma planta em todos os cômodos da casa.
Os essênios permanecem como um assunto vivo. Os pergaminhos e evangelhos que eles deixaram são exaustivamente estudados por cientistas e religiosos do mundo inteiro. Seus ensinamentos recrutam milhares de fiéis e, qualquer que seja a relação que mantiveram com Cristo, deixaram, sem dúvida, sua influência impressa no coração e na mente do cristianismo.

Os Essênios Hoje

Em 1984, o teólogo e filósofo americano Abba Nazariah fundou a Igreja Essênia de Cristo na cidade de Creswell, no Estado do Oregon, Estados Unidos. Tudo começou em 1966, quando tinha apenas 8 anos de idade. Naquele ano, Abba, que então se chamava David Owen, teria recebido a visita de Jesus Cristo, que, em carne e osso, teria lhe passado a missão de preparar a sua segunda vinda à Terra. Mais tarde, com 17 anos, Owen teria encontrado um egípcio de nome Zadok pedindo carona numa estrada da Califórnia, sentado na posição de lótus-a mesma do Buda. Ele afirmava ser um essênio e acabou ajudando Owen a formar a nova igreja.
Desde então, Abba (o nome significa "pai" em aramaico) tem professado sua teoria e recrutado muitos seguidores. Seus adeptos vivem hoje de acordo com os ensinamentos contidos nas obras de Szekely e Ouseley. Diferentemente dos antigos habitantes da Judéia, os fiéis de hoje não habitam monastérios, mas, assim como os que os precederam, estudam com rigor as escrituras sagradas e reservam o shabbath ao descanso e às orações.
Os novos essênios são despojados. Vestem-se de branco, usam barba longa e cabelos que em alguns casos tocam o chão. Pregam uma vida saudável que passa por uma dieta absolutamente vegetariana e por exercícios espirituais. Fazem relaxamentos, meditações e preces. O reverendo Abba Nazariah foi treinado em várias técnicas de Yôga, com especial ênfase no que considera a mais holística e compreensível de todas, a ioga essênia - uma união de dezesseis modalidades da prática indiana. "A saúde depende do amor por todos os seres. Inclusive pelos animais", diz o líder dos essênios americanos.
Segundo a Igreja Essênia de Cristo, depois de dez anos de constante aperfeiçoamento, os féis se tornam aptos a receber a visita de Jesus. Eles também acreditam em reencarnação. Para o psicólogo paulista Fernando Travi, líder da igreja essênia no Brasil, "todas as pessoas iniciadas estão aptas a conhecer suas vidas passadas".
As atividades no Brasil são mais modestas. Elas se resumem a reuniões semanais para discutir a doutrina essênia e formas de melhorar a saúde de acordo com os evangelhos de Ouseley e Szekely. "Os essênios ensinam a nos relacionarmos melhor com a natureza e com o Cosmo", afirma Travi.

terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

Orações Mágicas dos Essênios





A descoberta dos chamados Manuscritos do Mar Morto, no século 20, aumentou o interesse dos pesquisadores do Antigo e do Novo testamento sobre as comunidades da seita judaica dos Essênios, consideradas responsáveis pela elaboração desses manuscritos. Admite-se hoje que as doutrinas dos Essênios, seu afastamento das coisas mundanas e seu estilo de vida comunitário influenciaram a aurora do cristianismo, e muitos acreditam que João Batista e o próprio Jesus estiveram em estreito contato com as comunidades essênias que pontilhavam os desertos da Palestina.
Nesses focos de devoção e busca foram elaborados esse exercícios espirituais, que chegaram até nós por meio da tradição oral e da Biblioteca de Qumran, na qual se encontraram alguns dos manuscritos do Mar Morto. Tais doutrinas também são divulgadas pela Ordem do santuário (um ramo independente da Igreja Católica que trabalha com cura espiritual). O centro desse ensinamento era a árvore da Vida, associada à cabala judaica. Essa árvore, um pouco distinta da Cabala tradicional dos ocultistas judeus, possuía sete galhos que chegavam até o céu e sete raízes que se fundiam com a terra. Isto se relaciona com as sete noites da semana, correspondendo aos sete arcanjos da Hierarquia Angélica. Nessa concepção, o homem está situado no meio da Árvore – suspenso entre o Céu e a Terra, e portanto dividido entre o Pai Celestial e a Mãe terrenal. A intenção dessas orações é fazer com que o homem se afine com estas forças, para poder sentir seu poderoso efeito transformador.



Oração para a manhã de sábado – Comunhão com a Mãe Terrenal.

Em voz alta, diga: A Mãe Terrenal e eu somos um. Ela dá o alimento da Vida a todo o meu corpo!
Depois concentre-se e medite sobre a força dos frutos, grãos e plantas que cobrem o planeta. Sinta as emanações terrestres fluindo até você e fortalecendo o metabolismo de seu corpo.

Oração para a manhã de domingo – Comunhão com o Anjo da Terra

Em voz alta, diga: anjo da Terra, abençoa meus órgãos reprodutores e regenera todo o meu corpo!
Então, concentre-se e medite sobre a força do crescimento das plantas e do poder germinativo das sementes. Sinta o fluxo do Anjo da Terra transformando a sua energia sexual em força regenerativa.

Oração para a manhã de segunda-feira – comunhão com o Anjo da Vida

Em voz alta, diga: Anjo da Vida, abençoa meus membros e fortalece todo o meu corpo!
Medite a respeito das árvores e florestas. Sinta o seu corpo absorvendo a Força Vital que irradia da natureza.

Oração para a manhã de terça-feira – Comunhão com o anjo da felicidade

Em voz alta, diga: Anjo da Felicidade, desce até a Terra e confere a Beleza a todas as coisas!
Então, medite na cor do poente, no aroma de uma flor ou no canto de um pássaro. Saboreie essas sensações, recebendo as vibrações da Beleza.


Oração para a manhã de quarta-feira – comunhão com o anjo do Sol

Em voz alta, diga: anjo do sol, abençoa o meu centro solar e comunica o fogo da Vida a todo o meu corpo!
Em seguida, medite no Sol e em seus raios dourados. Sinta os raios solares penetrando pelo seu peito e sendo enviados por todo o seu organismo.

Oração para a manhã de quinta-feira – comunhão com o Anjo da Água

Em voz alta, diga: Anjo da água, abençoa o meu sangue e concede a Água da Vida a todo o meu corpo!
Depois, medite nas águas dos mares, rios e lagos. Sinta as correntes da água da Vida penetrando em sua corrente sangüínea.

Oração para a manhã de sexta-feira – Comunhão com o anjo do Ar

Em voz alta, diga: Anjo do Ar, abençoa os meus pulmões e insufla o Ar da Vida a todo o meu corpo!
Depois, medite no ar puro das montanhas e vales. Sinta o Ar da Vida invadindo seus pulmões